Seção: Palestras

Palestra – Demônios, Dragões, Anjos e Imortais: Mitos e Verdades – Parte I

I – Revisão

 Aprendemos que o chamado mundo espiritual possui diversas dimensões vibratórias, formando diversos planos de existência.

  Vimos que existem faixas vibratórias ascendendo na atmosfera, como abaixo da Crosta Terrestre.

  Analisamos que, em uma separação didática, os espíritos que se encontram nas faixas vibratórias densas abaixo da Crosta Terrestre são os que permanecem no caminho do Mal (que melhor denominaríamos ignorância).

  Estudamos que o Mundo Espiritual não é exatamente espiritual, na medida em que a trindade universal é composta de Deus (criador), Espírito (ser inteligente da criação) e Matéria (instrumento de evolução do espírito). Nesse sentido, o que não é Deus e Espírito, é Matéria.

 II – Necessidade do Estudo

 Como já comentado em outros estudos, muitos espíritas afirmam que não é aconselhável o estudo das regiões inferiores do chamado “Mundo Espiritual”, porque o Espiritismo é o Consolador prometido por Jesus, devendo se preocupar mais com a consolação (mensagens de esperança para todos).

Porém, o Espírito da Verdade também disse “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instrui-vos, eis o segundo”.

Está claro, portanto, a necessidade estudar e conhecer as dimensões vibratórias paralelas à nossa.

E mais, se não fosse chegada a hora de estudar um pouco tais regiões (já que nem tudo foi revelado e não precisamos estudar tudo que foi revelado), André Luiz não teria começado sua coleção, logo no primeiro capítulo, na dimensão vibratória conhecida como “Umbral”; bastaria ele narrar a sua vida espiritual a partir do resgate.

Some-se a isso o fato de que todos os livros trazem passagens e importantes informações das faixas vibratórias densas das outras dimensões.

São livros escritos há mais de 50 anos…

Está na hora de estudarmos a sério tais relatos a fim de conhecer e não temer. Apenas o conhecimento liberta, porque traz junto responsabilidade na vigília e na busca de uma efetiva reforma íntima.

Para entendermos os livros seguintes, precisamos analisar os mitos e verdades que envolvem os chamados “dragões” e “anjos”.

Quanto à credibilidade de André Luiz, além de ter sido psicografado por Chico Xavier e apresentado por Emmanuel, temos ainda, recente passagem do espírito Manoel Philomeno de Miranda pelo médium Divaldo Pereira (prefácio do livro “A Vida no Mundo Espiritual – Estudo da Obra de André Luiz”, p. 13/14, 2009):

 “Podemos dividir os períodos que dizem respeito ao desdobramento das revelações espíritas a respeito do mundo transcendente em antes e depois de André Luiz, embora tenha havido contribuições valiosas de outros médiuns no exterior e no Brasil. Ninguém, até este momento, depois de apresentado o Espiritismo, conseguiu ser mais fiel e profundo, nas informações em torno da vida no corpo e fora dele.

Estudar a fantástica obra do mensageiro espiritual é dever de todo aquele que deseja compreender a vida e os fenômenos em torno da morte, assim como da sobrevivência do Espírito, adquirindo conhecimento e propondo-se a viver de maneira consentânea com as lições aprendidas com esse dedicado e humilde servidor de Jesus.

Respeitando os esforços gigantescos da equipe de coligidores dos relevantes ensinamentos e a maneira como o Espírito André Luiz e o médium Francisco Cândido Xavier souberam sintetizá-los, suplicamos aos Céus que os abençoem no serviço da iluminação de consciências.”

 Vemos portanto, que as informações trazidas por André Luiz há mais de 50 anos são de garantida idoneidade, cabendo a nós elevarmos nosso grau de consciência para conseguir entender as lições de suas obras.

 Além disso, assim como devemos analisar toda obra espírita à luz das obras básicas de Allan Kardec, devemos, também, analisá-las e interpretá-las sempre em consonância com os livros de André Luiz.

III – Dragões e Demônios – Mitos e Verdades

 Iniciemos analisando algumas questões do Livro dos Espíritos:

Pergunta 115 – Entre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus?

Deus criou a todos os Espíritos simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência.

Pergunta 116 – Há Espíritos que permanecerão perpetuamente nas ordens inferiores?

Não, todos se tornarão perfeitos; eles mudam, mas lentamente; porque, como já dissemos de outra vez, um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente seus filhos. Pretenderias, pois, que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior que vós mesmos?

Pergunta 131 – Há demônios, no sentido que se dá a esta palavra?

Se houvesse demônios, ele seriam a obra de Deus, e Deus seria justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, é em teu mundo inferior e em outros semelhantes que habitam. São esses homens vingativos, e que creem lhe serem agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome.

 

Com essas perguntas e respostas dos Livros dos Espíritos podemos concluir o lógico: não existem demônios no sentido de seres criados por Deus para viverem no sofrimento eterno ou destinados eternamente a atormentar o ser humano.

Porém, precisamos compreender que a lei do livre arbítrio é absoluta.

Assim, existem pessoas que escolhem deliberadamente persistir no caminho do Mal (ignorância), são renitentes na maldade e podem permanecer nesse estágio por séculos e até mesmo milênios, se o desejarem e enquanto lhes for permitido.

Contudo, voltamos a frisar: são pessoas e não demônios, sendo que um dia irão acordar e aceitar Deus em seu coração, saindo do estágio em que se encontram.

Muitas dessas pessoas que escolhem o caminho do mal deliberadamente são inteligentes.

Disso, resulta o óbvio: devemos deixar de analisar o Mal como algo lúdico e distante, mas sim como algo real e organizado.

Da mesma forma que existem colônias espirituais destinadas a receber aqueles que procuram seguir nas trilhas do bem e estão aptos a habitá-las, nas regiões abismais existem cidades organizadas por estas pessoas que permanecem no Mal.

Existem líderes e organizações.

Vejamos esta passagem do Livro “Missionários da Luz”, fl. 120:

“Outros, contudo, e em vultoso número, revoltam-se nos círculos da ignorância que lhes é própria e constituem as chamadas legiões das trevas, que afrontaram o próprio Jesus, por intermédio de obsidiados diversos. Organizam-se diabolicamente, formam cooperativas criminosas e ai daqueles que se transformam em seus companheiros”.

Os que caem na senda evolutiva, pelo descaso das oportunidades divinas, são escravos sofredores desses transitórios, mas terríveis poderes das sombras, em cativeiro que pode caracterizar-se por longa duração”.

Analisando esta passagem, podemos fazer algumas observações. Vejamos.

Primeiro, como dito, existem espíritos que escolheram o caminho do mal e usam seu livre arbítrio para assim permanecerem, existindo, inclusive, muitas pessoas ditas inteligentes neste caminho, verdadeiros “gênios do Mal”.

Em segundo plano, podemos compreender que estas pessoas se organizam, existindo hierarquia e líderes. Ora, se aqui na terceira dimensão o crime é organizado (Máfia, PCC e outros), porque não o seria na outra dimensão?

Além disso, eles utilizam o ódio de pessoas como nós, que nem queremos o mal deliberadamente, nem somos evoluídos a ponto de termos deixado os traços da animalidade inferior. Assim, eles localizam os que desencarnam em estado de ódio, vingança ou, até mesmo, enorme remorso por erros passados e os arregimentam para seus serviços.

Veremos quadros dolorosos dessa espécie quando estudarmos o livro Libertação.

Por fim, também acontece de pessoas que estão em desequilíbrio mental resultante das más paixões, sem estarem aptas ao socorro espiritual e sem conseguir ascenderem para as colônias espirituais, serem feitas de reféns destas entidades infelizes.

Vejamos estas passagens em que André Luiz está em missão em faixa vibratória densa do umbral, “Obreiros da Vida Eterna”, fl. 117/124:

“Em seguida, dez cooperadores, obedecendo-lhe as ordens, acenderam focos de intensa luz.

Contemplamos, então, sensibilizados e surpresos, monstruoso quadro vivo. Vasta legião de sofredores cobria o fundo, um pouco abaixo de nossos pés.”

Após palavras do Evangelho para aqueles que sofriam….

“Longas filas de sofredores acorriam de todos os recantos, fitando-nos à claridade das tochas, à distância de trinta metros, aproximadamente. (…). De olhos ansiosos, falavam sem palavras do intenso e secreto desejo de se unirem a nós, entretanto, algo lhes coibia a realização. Semelhavam-se a prisioneiros, suspirando pela liberdade. Porque não corriam ao nosso encontro?

Desejando penetrar a causa daquela imobilidade compulsória, compreendi, sem maiores esclarecimentos, o que se passava.

Entre a multidão compacta e nós outros, cavava-se profundo fosso, e, onde surgiam possibilidades de transposição mais fácil, reuniam-se pequenos grupos de entidades que se revelavam por sinistra expressão fisionômica.

Não podia abrigar qualquer dúvida. Aqueles rostos agressivos e duros sustentavam severa vigilância.

Que faziam aí semelhantes verdugos? Permaneceriam dirigidos por potências vingadoras, com poderes transitórios na zona das trevas ou agiriam por sua conta própria, obedientes a desvairadas paixões da mente em desequilíbrio?

(…)

Homenzarrão, com todas as particularidades dum gigante, avançou até a borda do fosso, no outro lado, fez significativo gesto de provocação…

(…)

Jamais esquecerei a inflexão das palavras ouvidas. Jovens e velhos, homens e mulheres, em deploráveis condições, prostrados a reduzida distância, respeitosos e confiantes, em virtude das luzes que acendêramos dentro da noite triste, implorando o socorro divino.

E na tentativa de socorrer estes espíritos (fl. 132):

“Os gênios diabólicos fizeram-se mais duros. Entidades perversas, em grande número, continham os aflitos prisioneiros, impedindo-lhes o salvamento, com manifesto recrudescimento de maldade. Nosso esforço persistiu por longos minutos, ao fim dos quais, observando que redundavam inúteis, apenas favorecendo a dilatação da agressividade dos algozes, a Irmã Zenóbia, mantendo-se em grande serenidade, determinou fosse recolhido o material utilizado para os trabalhos de salvação”.

E, por meio de alto falante, foi dito pela dirigente dos trabalhos a todos que estavam ali:

“Dilaceram-nos vossas dores, tocam-nos, de perto, as incompreensões e sofrimentos a que vos entregastes, apartados da Lei Divina, e se não atravessamos o fosso negro, na tentativa suprema de salvar-vos temporariamente do mal, é que somos igualmente companheiros de luta, sem imunidades angélicas, detentoras de possibilidades limitadas no amparo aos semelhantes”

Vemos, por meio desta passagem, que existem reais forças do mal e que elas são organizadas.

Não só isso, vemos também que são fortes e possuem a capacidade de sequestrar e fazer prisioneiros aqueles que não conseguiram libertar suas consciências quando em vida encarnada, deixando-se consumir pela ignorância e remorso, assim permanecendo no “Mundo Espiritual”.

Por esta razão o trabalho de libertação de consciência é tão importante.

Lembram-se do texto do Manoel Philomeno de Miranda no início deste estudo? O trabalho de André Luiz possui singular importância porque visa iluminar as consciências encarnadas para que possam atingir um desenvolvimento mental suficiente para, quando mudar de dimensão com o falecimento do corpo físico, estejam em faixas vibratórias sujeitas ao socorro espiritual, pondo-se a salvo do Mal que existe ainda na Terra.

E, dentro dessa organizações das forças das trevas, existem os chamados “Dragões”.

São seres que há milênios encontram-se no caminho do mal. São inteligentes e usam do livre arbítrio para permaneceram contra Deus e a lei de amor trazida por Jesus Cristo.

André Luiz assim os explica (“Libertação”, p. 103): “Espíritos caídos no mal, desde eras primevas da Criação Planetária, e que operam em zonas inferiores da vida, personificando líderes de rebelião, ódio, vaidade e egoísmo; não são, todavia, demônios eternos, porque individualmente se transformam para o Bem, no curso dos séculos”.

Relatos afirmam que os chamados “dragões” já vieram para o Planeta Terra desde os primórdios da humanidade e que muitos já cederam aceitando a necessidade de evoluir.

Porém, muitos outros permanecem neste caminho e assim permanecerão até que um dia aceitem Deus, o que ocorrerá inevitavelmente.

Importante entender: SÃO PESSOAS, como eu, você e toda a humanidade. Apenas e tão somente estão no caminho do mal há muito tempo, possuindo o controle das faixas vibratórias densas dos abismos e algumas do umbral.

Sempre vão existir no sentido de que sempre terão pessoas que vão seguir o caminho do mal por certo tempo, até que a Terra deixe de ser um mundo de expiação e provas. Ou seja, os “dragões” de hoje não são os mesmos de toda a eternidade. Aqueles espíritos que governam as zonas inferiores atualmente um dia irão evoluir.

Enquanto a Terra não evoluir, passando a ser um mundo de regeneração e repouso, existirão outros que passarão a governar essas regiões sombrias, assim como nos infinitos mundos ainda primitivos e de expiação existentes no Universo.

 –> Estudo continua semana que vem…

8 Comentários

Orlando { 20 de março de 2013 às 13:02 }

Muito bom…

juh { 21 de março de 2013 às 15:02 }

Muito edificante e esclarecedor .

Breno Costa { 21 de março de 2013 às 15:22 }

Que bom que gostou!
Semana que vem concluímos os estudos!
Abraços,
Breno.

Raphael { 25 de março de 2013 às 13:49 }

Breno, mais uma vez gostaria de parabenizá-lo pelo site. Com essa vida corrida que levamos, acabamos fazendo um estudo um tanto incompleto da doutrina. Sua página, explicando de maneira sucinta e objetiva as lições de André Luiz, torna-se uma grande aliada na nossa evolução espiritual. Obrigado!

Breno Costa { 25 de março de 2013 às 16:21 }

Olá Raphael, que bom que está gostando.
Esta semana continuaremos o estudo, continue acompanhando e participando, inclusive ajude a divulgar o site!
Abraços,
Breno.

Rosangela { 19 de junho de 2017 às 11:40 }

Bom dia poderia me explicar porque muitos escritores que se dizem espiritas lançam quase que diariamente livros com o tema DRAGOES e que muitos estão deslumbrados com o tema.Obrigado

Breno Costa { 19 de junho de 2017 às 19:37 }

O rótulo dragão designa espírito renitentes no mal há milênios. Assim como anjos dizem respeito a espíritos já puros. Crísticos são os espíritos puros que avançaram na escalada evolutiva e se tornaram ministros de Deus em todo o Universo.
São rótulos para designar estágios evolutivos ou fases do espírito.
A essência é sempre a mesma: Espírito.
Nesse sentido, sabendo disso, não está errado citar os dragões, anjos, crísticos, imortais (espíritos de luz) e tantos outros. Mas é importante saber que são rótulo e na essência somos todos iguais, filhos de Deus e todos chegaremos a perfeita sintonia com a Providência Divina.
Ocorre que falar sobre tais temas atrai atenção, imaginário popular, etc e tem gente que gosta de explorar isso.
Abraços fraternos,
Breno Costa.

Rosangela { 20 de junho de 2017 às 10:43 }

Obrigado

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