Seção: Estudo das Obras do Espírito André Luiz

Aula 36 – Questões sobre Oração e o Início do livro “Entre a Terra e o Céu”

Hoje estudaremos algumas questões que envolvem o ato de Orar. Além disso, começaremos o estudo do livro “Entre a Terra e o Céu”, entendendo como age a espiritualidade amiga em nosso dia a dia.

* 

Estudamos que todo e qualquer pensamento emite vibrações e que esta emissão de vibrações é que vai determinar o nosso padrão vibratório.

Vimos que estamos em sintonia com todas as pessoas encarnadas e desencarnadas que possuem a mesma espécie de pensamento habitualmente alimentado por nós.

II – Oração

Inicialmente convém lembrarmos que as imagens e apetrechos (talismãs, jóias, turbantes, chapéus, vestes especiais, ritos etc) utilizados por algumas religiões e pessoas, são posturas sem as quais sentem dificuldades em orar, ou seja, constituem reflexos condicionados para facilitar o ato da oração.

Vejamos a explicação de André Luiz (Mecanismo da Mediunidade, p. 194, Edição 26ª):

“Talismãs e altares, vestes e paramentos, símbolos e imagens, vasos e perfumes, não passam de petrechos destinados a incentivar a produção de ondas mentais, nesse ou naquele sentido, atraindo forças do mesmo tipo que as arremessadas pelo operador dessa ou daquela cerimônia mágica ou religiosa e pelas assembleias que os acompanham, visando certos fins”.

André Luiz explica que boa parte de nossa conduta é o resultado do reflexo condicionado (a nossa mente condiciona-se a reagir de certa maneira diante de tal ou qual estímulo e, por isso, é denominado também de adquirido, em contraposição aos reflexos incondicionados) de várias vidas, como resultado dos hábitos e costumes que alimentamos diariamente.

Nesse sentido, a oração torna-se o mais perfeito instrumento de elevação de nossos pensamentos e, consequentemente, de nosso padrão vibratório, colocando-nos em sintonia com a Espiritualidade Superior.

Vejamos a explicação (Mecanismo da Mediunidade, p. 195):

“Observamos em todos os momentos da alma, seja no repouso ou na atividade, o reflexo condicionado (…) na base das operações da mente, objetivando esse ou aquele gênero de serviço.

Daí resulta o impositivo da vigilância sobre a nossa própria orientação, de vez que somente a conduta reta sustenta o reto pensamento e, de posse do reto pensamento, a oração, qualquer que seja o nosso grau de cultura intelectual, é o mais elevado toque de indução para que nos coloquemos, para logo, em regime de comunhão com as Esferas Superiores.

De essência divina, a prece será sempre o reflexo positivamente sublime do Espírito, em qualquer posição, por obrigá-lo a despedir de si mesmo os elementos mais puros de que possa dispor.

(…)

A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente de vida e luz.”

Além disso, André Luiz explica que a oração está ligada à própria higiene mental. Isso porque durante a oração estamos em permuta de vibrações sutis e puras, limpando de nossa mente as matérias fluídicas densas (incluindo até mesmo larvas e parasitas astrais). Vejamos (p. 195):

“Aliada à higiene do espírito, a prece representa o comutador das correntes mentais, arrojando-as à sublimação”.

André Luiz ressalta que estamos inseridos numa espécie de selva de vibrações mentais variadas, cabendo a cada um de nós escolher os pensamentos que iremos arrojar para a atmosfera e receber dela em sintonia com os que irradiamos.

Nesse sentido, a prece assume importantíssima ferramenta de defesa e renovação do equilíbrio mental (p. 197):

“Na floresta mental em que avança, o homem frequentemente se vê defrontado por vibrações subalternas que o golpeiam de rijo, compelindo-o à fadiga e à irritação, sejam elas provenientes de ondas enfermiças, partidas dos desencarnados em posição de angústia e que lhe partilham o clima psíquico, ou de oscilações desorientadas dos próprios companheiros terrestres desequilibrados a lhe respirarem o ambiente. Todavia, tão logo se envolva nas vibrações balsâmicas da prece, ergue-lhe o pensamento aos planos sublimados, de onde recolhe as ideias transformadoras dos Espíritos benevolentes e amigos, convertidos em vanguardeiros de seus passos, na evolução.

Orar constitui a fórmula básica da renovação íntima, pela qual divino entendimento desce do Coração da Vida para a vida do coração”.

André Luiz termina a explicação técnica sobre oração com uma ressalva importante, vejamos (p. 198):

“Semelhante atitude da alma, porém, não deve, em tempo algum, resumir-se a simplesmente pedir algo ao Suprimento Divino, mas pedir, acima de tudo, a compreensão quanto ao plano da Sabedoria Infinita, traçado para o seu próprio aperfeiçoamento, de maneira a aproveitar o ensejo de trabalho e serviço no bem de todos, que vem a ser o bem de si mesma”.

Assim, a oração deve ser instrumento de equilíbrio e renovação da mente e não simples meio de requerimento incessante a Deus. Devemos, antes de pedir, agradecer tudo que possuímos, desde as pequenas alegrias da vida, até as grande bênçãos que já recebemos. Os pedidos devem caminhar junto com a resignação, aceitando os planos traçados por Deus e por nós mesmos antes de reencarnamos; ou seja, devemos pedir forças, coragem e fé para enfrentarmos e vencermos as dificuldades e sofrimento de nossas vidas.

III – Início da História

A história do livro começa com André Luiz no Templo do Socorro, em Nosso Lar, ouvindo orientações do ministro Clarêncio.

Clarêncio explicava que todo desejo é manancial de poderes, sendo que toda rogativa é sempre atendida.

Ele ensina que Deus se faz presente pelas próprias criaturas, atendendo aos pedidos pelos seus emissários.

“(…). Da luz suprema à treva total, e vice-versa, temos o fluxo e o refluxo do sopro do Criador, através de seres incontáveis, escalonados em todos os tons do instinto, da inteligência, da razão, da humanidade, e da angelitude, que modificam a energia divina, de acordo com a graduação do trabalho evolutivo, no meio em que se encontram” (p. 10).

Sobre a prece explica ainda que (p. 10): “(…) qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo as respostas imediatas ou remotas, segundo as finalidades a que se destina.”

Clarêncio adverte que, de outro lado, aquele que idealiza o mal, também entra em sintonia com entidades inferiores, recebendo seu auxílio para o fim a que se destina. Vejamos a explicação (p. 12):

“(…) Quando alguém nutre o desejo de perpetrar uma falta está invocando forças inferiores e mobilizando recursos pelos quais se responsabilizará”.

“Todas as nossas aspirações movimentam energias para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, a direção delas permanece afeta à nossa responsabilidade”.

Além disso, ressalta que “todos somos senhores de nossas criações e, ao mesmo tempo, delas escravos infortunados ou felizes tutelados. Pedimos e obtemos, mas pagaremos por todas as aquisições. A responsabilidade é princípio divino a que ninguém poderá fugir” (p. 13).

A conversa é interrompida por uma jovem que alertou:

Jovem: “Irmão Clarêncio, uma de nossas pupilas do quadro de reencarnações sob suas diretrizes pede socorro com insistência…”.

Clarêncio: “É um apelo individual urgente?”.

Jovem: “É um assunto importante, mas numa prece refratada”.

IV – Oração/Prece Refratada

 

Oração refratada é aquela cujo “impulso luminoso teve a sua direção desviada, passando a outro objetivo” (p. 17).

Analisando o caso, Clarêncio recebe um pequeno gráfico, o qual contém uma oração comovedora que superou as linhas vibratórias comuns do plano da matéria densa, atingindo esferas mais sutis.

Trata-se do apelo de Evelina.

O pai, Amaro, não estava bem, passando por tormentos íntimos que agravavam seu estado de saúde. E a madrasta estava sendo obsediada pela ex-mulher de Amaro, mãe de Evelina e que se chama Odila.

A segunda esposa de Amaro, madrasta de Evelina, chamava-se Zulmira. Ela trazia a consciência culpada e alimentava remorso em razão da morte de Júlio, irmão de Evelina, filho de Amaro e Odila.

Zulmira possuía muito ciúmes de Júlio e intimamente desejava sua morte. Certo dia Júlio morreu afogado, conforme programação de vida. Mas, Zulmira crê-se culpada e Odila, que nunca conseguiu abandonar o lar familiar, a persegue.

Evelina rezava para sua mãe, mas Odila, ainda envolvida em suas próprias criações mentais, não podia socorrer a filha.

Após esta análise, Clarêncio volta a explicar para André Luiz o que seria a oração refratada: “Compreendem agora o que seja uma oração refratada? Evelina recorre ao espírito materno que não se encontra em condições de escutá-la, mas a solicitação não se perde… Desferida em elevada frequência, a súplica de nossa irmãzinha vara os círculos inferiores e procura o apoio que lhe não faltará” (p. 18/19).

Clarêncio convida André Luiz, Hilário e Eulália para formarem o grupo de socorro para o caso de Evelina. O convite foi aceito e dias após, porque Clarêncio foi inteirar-se de todas as ocorrências, desceram para a Crosta Terrestre na casa de Amaro, Zulmira e Evelina.

V – Casa de Evelina

Entraram no quarto do casal e encontraram Zulmira, linda moça de 25 anos, com semblante torturado.

Ao seu lado, estava Odila, que “Conservava a destra sobre a medula alongada da senhora vencida e doente, como se quisesse controlar-lhe as impressões nervosas, e fios cinzentos que lhe fluíam da cabeça, à maneira de tentáculos dum polvo, envolviam-lhe o centro coronário, obliterando-lhe os núcleos de força”.

Odila, em razão de seu padrão vibratório, não registrava a presença do grupo de André Luiz, que possuíam corpo espiritual mais sutil.

André Luiz perguntou para Clarêncio, porque Zulmira não reagia, sendo explicado que ela havia entrando em sintonia vibracional em razão do sentimento de culpa e do enorme remorso que alimentava em razão da morte de Júlio.

Vejamos a narrativa de Clarêncio que já explica com detalhes como Júlio desencarnou e o quadro em que se encontra a família (p. 25):

“Zulmira chegou a desejar a morte de uma das crianças. Pretendia possuir o coração do homem amado com absoluto exclusivismo. E porque as atenções de Amaro se concentravam particularmente sobre o menino, muitas vezes emitiu silenciosamente o anseio de vê-lo afogar-se na praia em que se banhavam. Certa manhã, custodiando os enteados, separou Evelina do irmão, permitindo ao petiz mais ampla incursão nas águas. O objetivo foi atingido. Uma onda rápida surpreendeu o miúdo banhista, arrojando-o ao fundo. Incapaz de reequilibrar-se, Júlio voltou cadaverizado à superfície. O sofrimento familiar foi enorme. O ferroviário sentiu-se psiquicamente distanciado da segunda esposa, classificando-a como relaxada e cruel com os filhinhos. Zulmira, a seu turno, acabrunhada com o acontecimento e guardando consigo a responsabilidade indireta pelo desastre havido, caiu obsidiada ante a influência perniciosa da rival que a subjugava no plano invisível”.

E explica como o sentimento de culpa é ruim para a saúde mental do espírito (p. 25):

“O sentimento de culpa é sempre um colapso da consciência e, através dele, sombrias forças se insinuam… Zulmira, pelo remorso destrutivo, tombou no mesmo nível emocional de Odila e ambas se digladiam, num conflito de morte, inacessível aos olhos humanos comuns.”

Clarêncio ressaltou que “Enquanto se mantinha com a paz de consciência, defendia-se naturalmente contra a perseguição invisível, como se morasse num castelo fortificado, mas, condenando a si mesma, resvalou em deplorável perturbação”. (p. 32).

Odila, percebendo a presença do grupo de forma intuitiva, agarrou-se a Zulmira e gritou que faria justiça com as próprias mãos e ninguém impediria. Iria vingar a morte do pequeno Júlio.

Logo Zulmira começou a piorar.

Quando André Luiz fez menção de socorrer a vítima, Clarêncio explicou que não era possível o desligamento brusco das duas, em razão dos fundos laços vibratórios de união estabelecidos ao longo do tempo. O desligamento brusco poderia trazer sérios prejuízos para Zulmira, inclusive a morte.

Clarêncio explicou que a solução era mostrar para Odila um outro caminho, trazendo-a para o lado do bem. Uma simples doutrinação seria perigoso, porque poderia causar choques em Zulmira e era necessário evitar ataques de Odila.

Clarêncio advertiu que seria necessário a ajuda de Clara, um espírito mais evoluído, que conseguiria despertar Odila sem incitá-la a mais ódio.

Assim, naquele momento, só foi possível medidas de alívio para Odila e Zulmira, sendo ministrado passe magnético para as duas.

 

VI – Caso de Zulmira

André Luiz indagou se Zulmira poderia ser considerada culpada pela morte de Júlio segundo as leis divinas.

Clarêncio explicou que no sentido real Zulmira não pode ser classificada como culpada, mas como tendo contribuído para a situação porque o pensamento possui forças mentais coagulantes, que ajudam a materializar o desejo.

E explicou o quadro de Júlio e as consequências já sendo suportadas por Zulmira (p. 34):

“Júlio trazia consigo a morte prematura no quadro de provações. Era um suicida reencarnado… A segunda esposa de Amaro, porém, sofre o resultado das infelizes deliberações que albergou no espírito. Padece o retorno das vibrações envenenadas que arremessou na direção do menino. Pelo ciúme, criou ao redor de si mesma um ambiente pestilencial, em que os seus próprios pensamentos malignos conseguiram prosperar, assim como um fruto apodrecido desenvolve em si mesmo os vermes que o devoram.”

Júlio já havia sido socorrido e encontrava-se em instituição destinada a receber crianças desencarnadas, mas Odila não estava em condições de socorrê-lo, na medida em que não aceitava ausentar-se da casa e alimentava a fixação mental de se vingar de Zulmira.

 *

V – Exercícios Mentais e Práticas Edificantes

A tarefa de casa é composta por exercícios mentais e práticas edificantesque visam despertar nossa atenção para a necessidade de alterar nossos hábitos, ajudando em uma efetiva reforma íntima.

Sublimando nossos hábitos, alteramos a frequência de nossa vibração mental eelevamos nosso grau de consciência.

Até agora, os exercícios mentais e as práticas edificantes que sugerimos para fazer durante a semana são:

1º – Afastar todo e qualquer pensamento não edificante (ver aula 01 e 02 no link “Exercícios mentais”).

2º – Sempre que passar por alguém emitir bons pensamentos (ver aula 03 e 04 no link “Exercícios mentais”).

3º – Meditar por CINCO minutos, ao menos três vezes na semana. Preferencialmente, meditar todos os dias por cinco minutos. Preferencialmente, orar antes. Preferencialmente, antes de dormir (principalmente para quem tem insônia). (ver aula 05 no link “Exercícios mentais”).

4º – Evitar o descontrole emocional (raiva, cólera, ira, etc). (ver aula 06 no lik “Exercícios mentais”).

5º – Paciência – Esperar 1 minutos antes de ficar impaciente.

6º – Indignar-se com serenidade.

7º  – Ser generoso e solícito no dia a dia (no trabalho, na rua, trânsito, em casa, etc).

8º – Fazer Evangelho no Lar ao menos uma vez por semana (incentivamos realizar Evangelho no Lar nas quintas-feiras, dia que o Núcleo Espírita Amor e Paz, de Marília, realiza uma corrente de oração, entre 21h00min e 22h00min, faça no seu lar, com sua família).

9º – Ler uma vez por dia uma “mensagem edificante” de Espíritos Superiores (Emmanuel, André Luiz, Dr. Bezerra de Menzes, Memei, Joanna, etc).

10º – Estabelecer um hábito angular para rotina diária, auxiliando no “despertar” de nosso autocontrole e vigia de nossos pensamentos e atos diários.

11º Evitar ao máximo queixar-se de vida, analisando os fatos com resignação e confiança nas Leis Divinas, mantendo harmonia mental.

12º – Fazer caridade, participando ativamente de alguma atividade assistencial.

13º – Exercitar a indulgência (não observar, não comentar, não divulgar, defeitos alheios).

14º – Perseverar!

15º – Ser discreto nos atos da vida (particular e profissional).

16º – Desenvolver o nobre sentimento da compreensão, evitando criticar o próximo e aprendendo a ter tolerância com pensamentos diferentes e erros cometidos.

17º – Analisar criticamente os impulsos recebidos, seja do nosso inconsciente (hábitos – reflexos condicionados), seja de espíritos desencarnados.

18º – Elaborar o caderno de metas individuais e reforma íntima.

19º – Zela pela saúde do corpo físico, adotando uma alimentação equilibrando e a prática de exercícios físicos regulares no decorres da semana.

20º – Desenvolver o sentimento da Gratidão, agradecendo diariamente a Deus por todas as alegrias que possui, mesmo as pequenas.

21º – Orar diariamente.

22º – Admirar a beleza da natureza e levar “vida” para nosso ambiente de casa e do trabalho, decorando-o com plantas, flores, quadros, etc.

23º – Não alimentar sentimentos de culpa ou remorso. O arrependimento deve ser o primeiro passo, o segundo tem que ser corrigir o erro e aprender com ele e não ficar se auto condenando.

24º – Adotar, imediatamente, sem desculpas ou justificativas, as condutas edificantes catalisadoras de nossa reforma íntima e qualidade de vida.

25º – Evitar, durante o dia a dia, melindrar-se por bagatela (pequenas coisas).

26º – Programar sua semana, prevendo quando irá fazer exercícios físicos, oração, meditação, leitura edificante, estudo sobre espiritismo e intelectual, além das tarefas rotineiras da vida.

27º – Sermos otimistas no dia a dia e, ao mesmo tempo, resignados com os acontecimentos.

28º – Pensar e analisar antes de falar, regulando o tom de voz e evitando falar de forma agressiva e, até mesmo, palavrões.

29º – Sermos humildes efetivamente, no dia a dia, abafando a vaidade e o orgulho”.

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Mensagem de Encerramento:

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